segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Até onde nós pais devemos influenciar as escolhas dos nossos filhos

Não quero voltar a jogar Futebol. Diz o Diogo depois de 2 minutos de aula experimental no Benfica, coisa que andava a sonhar há imenso tempo. Tiago não se fica atrás e repete. Eu também não quero, nunca mais jogar futebol no Benfica. Ora eu que sou do Sporting e que até estava disposta a sacrificar-me e a entrar nas instalações do Benfica para os ver jogar e até "quiçá" torcer pelo benfica, quanto mais não fosse quando os meus meninos estivesse a jogar, podia ter até ficado contente com esta decisão. Mas não. Não fiquei contente. Não fiquei contente por 2 razões. Primeiro porque dizer que não se gosta de uma coisa sem ter experimentado a sério (2 minutos não vale), não significa que não se goste. Segundo porque de todos os desportos era aquele que eu achava que tinha tudo a ver com eles pois os miudos desde que andavam na minha barriga que andam aos chutos. Não percebi... não percebo e vou continuar sem perceber até que um dia eles me expliquem bem explicadinho. A historia de que a bola era dura e o menino x tirou a bola para mim não vale. Desculpem mas é verdade. Pode ser que um dia quando forem mais velhinhos me consigam explicar de outra maneira.

Esta semana tiveram uma aula experimental de Tenis na escola. Eu tinha perguntado na escola se dava para fazerem e eles disseram que sim. Mesmo sem eu ter concordado e ter dado o aval de irem experimentar, na sexta feira, foram busca-los para a aula. Embora os putos não estivessem nada a espera, apenas o Tiaguinho resolveu abrir a goela. Felizmente ao que parece passou e aula até foi muito gira (palavras deles). Ora eu, comecei logo a esfregar as mãos. Espera lá... então será que eles gostam assim tanto de ténis? Pergunto-lhes como quem não quer a coisa se, uma vez que gostaram, querem continuar a ir as sextas para o Ténis. Resposta do Diogo. NÃO!!!!

Grrr... até onde devemos deixa-los decidir uma coisa destas, pergunto eu? Pelo que me lembro de mim própria, do meu irmão e do que vejo dos meus filhos e dos outros, com 5 anos sabem lá eles o que querem. Então os meus filhos que têm uma aversão descomunal a todas as novidades. Não sabem. Nestas idades, ou querem tudo e querem experimentar tudo o que os outros meninos fazem ou...não querem nada. Acho que ainda não têm o discernimento para dizer que gostavam de experimentar isto ou aquilo. Os professores e instrutores são os primeiros a dizer que nas primeiras aulas normalmente os putos choram. Ora afinal porque é que os miudos choram a fazer algo que supostamente gostam? Não devemos nós pais ter o papel de apazigoadores e decisores? Não devemos nós pais insistir para que os miudos pelo menos não desistam ao fim das primeiras aulas? Serão os miudos tão inteligentes que com 5 anos já sabem exactamente que nunca mais querem jogar futebol no Benfica ou que nunca mais querem jogar ténis (mesmo tendo eles gostado da aula)? O pai diz, deixa, voltamos a experimentar aos 6 anos. Mas isto não me convence. Não me convence mesmo!!! Aos 6 anos provavelmente terão a mesma atitude e então nessa altura? Devemos insistir se quiseremos que eles façam um desporto? E se sim, já não deviamos ter insistido aos 5 porquê?

Há quem diga que os pais não devem influenciar as escolhas dos filhos e só porque gostavamos muito que aprendessem piano, obrigamos a aprender piano. Concordo plenamente com isto. Mas um miudo com 5 anos saberá se gosta de tocar piano? Como é que pode saber se gosta ou não se nunca experimentou? Eis a questão.

3 comentários:

Maria disse...

Lá venho eu opinar. Institivamente tu já sabes a resposta à questão que colocas aqui. Estás a dar aos teus filhos oportunidades para experimentarem atividades novas. E eles desistem, logo à primeira, porque não gostam de novidades. Mas tudo na vida são novidades constantes e deixá-los desistir é dar-lhes a falsa ideia que se pode desistir de tudo à mínima contrariedade. E quando eles entrarem para a escola? E quando mudarem de estabelecimento de ensino? Aí haverá hipótese de dizer que não. A educaçao é apontar o caminho. É mostrar a vida. Se os deixas desistir de tudo, vão ser uns meninos que nunca sabem o que querem, porque nunca experimentaram nada.
Acho que os pais devem ateder às escolhas dos filhos, mas tu já lhes perguntaste primeiro se queriam ir ao futebol ou ao ténis. A escolha foi deles, por isso é para manter.
Se confiares mais na tua intuição, tenho a certeza que vais ter uns filhos muitíssimo bem formados. Se tu própria pareceres não saber que caminho seguir, como poderão eles conseguir fazê-lo? Força na maionese e desculpa a sinceridade! Bjs

silvia simoes rodrigues disse...

Uma coisa é obrigares a fazer uma atividade porque tu gostavas de a ter feito, outra é insistir para que se mantenha nuima atividade que escolheram! O meu mais velho ao fim de duas aulas de judo (que insisitiu que queria fazer) dizia que já não queria fazer mais. Convenci-o de que devia experimentar mais uns dias e depois logo decidiamos e passaram dois anos... há dias em que a natação também já não interessa, mas só porque lhe está a ser pedida uma tarefa que não sabe se consegue.
eles têm que aprender a viver com as decisões, ainda que à dimensão da sua idade. não podem decidir que hoje querem uma atividade e amanhã já não. temos que os ajudar a perceber que ainda que não corresponda ao que imaginavam, vai ser divertido.
com gémeos acho que o problema poderá ser decidirem fazer uma atividade não porque gostam, mas porque se sentem mais seguros acompanhados do outro irmão.

Maria João disse...

Ora essa questão não é fácil. A decisão deles do "não gostar de futebol ou ténis" de certeza que não se prende com as actividades em si, mas talvez por pequenos pormenores como a bola dura, não poderem jogar livremente como em casa, ter outros meninos que não conhecem e etc...Não acho que com 5 anos saibam o que querem, mas acho que também devem ser ouvidos nas suas escolhas e, em conjunto com os pais, chegar a um acordo. A minha filha é bem mais nova (3 anos e meio), começou a dançar como bailarina, disse que gostava de dançar assim, vi aqui ao pé de casa aulas de ballet e lá a inscrevi. No 1º dia não saiu do meu colo, no 2º saiu mas não se mexeu, no 3º já sabia as coreografias de cor, pulava, dançava e etc. Portanto acho que se deve insistir, sem dúvida. Até a um certo ponto.